Mercado de Fertilizantes

O agronegócio

O agribusiness é o maior negócio da economia brasileira e mundial e segundo o relatório anual Perspectivas Agrícolas 2010-2019 (publicado pela FAO e pela OCDE), o Brasil terá a maior produção agrícola do mundo na próxima década e será o principal fornecedor mundial de produtos agropecuários. A figura 1, abaixo, mostra o crescimento do PIB do agronegócio brasileiro, que em 2010 representou 22,4% do PIB nacional.

Até 2030, o mundo (em relação ao que produz hoje) terá um crescimento de demanda de 34% de carne bovina, 47% de carne suína, 55% de carne de frango, 59% de açúcar, 19%
de arroz, 29% de milho e 49% de soja.De acordo com Nassar (2011), se a participação do Brasil como fornecedor mundial continuar aumentando, nosso crescimento será de 49% na carne bovina, 48% na carne suína, 77% na carne de frango, 65% no açúcar, 16% no arroz, 83% no milho e 98% na soja (comparando a produção atual com a estimada para 2030).

 

Em 2010 o agronegócio brasileiro atingiu o recorde das exportações, e segundo o CEPEA/CNA, elas representaram US$ 76,4 bilhões. O País se destaca nas exportações de suco de laranja e também na exportação de carne bovina, de frango e suína. Estima-se, inclusive, que a liderança brasileira na exportação de carnes bovina e de frango se manterá e o Brasil poderá chegar ao 3º ou ao 4º lugar nas exportações de carne suína, conforme dados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Esse aumento nas exportações também será resultado mais do aumento da produtividadee menos do aumento da fronteira agrícola. Em 2003, o Brasil colheu 123,2 milhões de toneladas de grãos e de acordo com o MAPA na safra agrícola 2010/2011, a colheita de grãos poderá ser de 159,5 milhões de toneladas. Esse resultado vem do aumento de produtividade.

 

Nos próximos anos os desafios da agricultura estão relacionados com o fato de que na maior parte das regiões do mundo menos pessoas viverão da agricultura, e menos ainda serão
agricultores. Também haverá a necessidade de novas tecnologias que deverão extrair mais de uma porção menor de área, utilizando menos mão de obra. Atualmente as propriedades estão cada vez mais tecnológicas e produtivas, por exemplo: na produção de milho enquanto o mundo cresceu 17% em produtividade, o Brasil cresceu 73%:

 

De acordo com a ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos), o mercado nacional de fertilizantes movimentou em 2010 cerca de 24,5 milhões de toneladas, próximo ao recorde registrado em 2007, quando o mercado interno consumiu 24,6 milhões de toneladas. No período de janeiro a maio de 2011 foram comercializadas 8,5 milhões de toneladas, aumento de 23,8% sobre os 6,9 milhões de toneladas negociadas no mesmo período do ano passado.

O Mercado Brasileiro de Fertilizantes

 

Durante o período entre 1997 e 2011 houve um crescimento médio anual do mercado brasileiro de fertilizantes de 4,6%. Contudo, esse mercado apresentou estagnação nos anos 2003 e 2004, e nos anos 2008 e 2009, como pode ser observado na Tabela 1, abaixo, que apresenta a evolução do setor.

Os períodos de estagnação podem ser justificados pelos problemas de estiagens prolongadas, principalmente na região Sul, e o excesso de umidade no Centro-Oeste, estocagem de fertilizantes por parte do produtor rural quando há uma relação de troca favorável, diminuição da renda do produtor rural e crises mundiais, como a que ocorreu em 2008.

 

Em 2011 há outras contribuições para a estagnação do mercado, como os aumentos elevados nos preços dos fertilizantes no mercado internacional (que trouxe consequências para o Brasil), e dos custos de fretes marítimos, que alteraram a relação demanda e oferta de matérias-primas utilizadas. O aumento do petróleo implicou diretamente no aumento das matérias-primas derivadas do nitrogênio, um dos principais nutrientes utilizados nas formulações de fertilizantes. O aumento nos custos dos fretes marítimos implicou no aumento de preço das matérias-primas importadas.

Entre 2007 e 2010 foi necessário importar 63% do volume, para suprir as necessidades de fertilizantes no mercado brasileiro. Quando se trata do cloreto de potássio (KCl) este número pode chegar a 95% em produtos importados. Há uma forte dependência dos produtores internacionais de fertilizantes.O mercado disponível para consumo de fertilizantes por cultura está representado na Figura 2. Esta análise pode permitir uma melhor compreensão da distribuição dos fertilizantes por unidade da federação mostrada na figura 3

A cultura que mais consome fertilizantes no Brasil é a soja, atingindo 35% do total entregue no País. Outras culturas, como milho, cana-de-açúcar, café e algodão totalizam 77% das vendas de fertilizantes no mercado brasileiro. Quanto à segmentação por Estado brasileiro, nota-se a grande representatividade da Região Centro-Oeste, na Figura 3.

A representatividade da região Centro-Oeste deve-se ao fato de o Estado do Mato Grosso ser o maior consumidor de fertilizantes do País. Trata-se do maior polo agrícola brasileiro, com altas taxas de produtividade e áreas disponíveis para crescimento, tanto em pastagem quanto abertura de novas áreas.

 

 

Fonte: O MERCADO DE FERTILIZANTES NO BRASIL E AS INFLUÊNCIAS MUNDIAIS
Preparado por Profa. Dra. Maria Flávia de Figueiredo Tavares e Prof. Msc. Caetano Haberli Jr., do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM-Sul